Aonde o Vento Me Levar

Velejo desde os 14 anos de idade. Meu primeiro contato com a vela foi em um barco de madeira de 21 pés da classe Carioca. Existia uma versão do mesmo projeto que era conhecido como Classe Guanabara era maior.
Por volta de 2009 comecei a velejar na classe Snipe. Um monotipo bem arisco que tem como característica marcante a retranca alta. Uma máquina. Meu Barco se chamava Perola Negra. Como tive uma fase em que era comparado ao pirata do Rum Montilha, fazia muito sentido.
Competia na classe mista.

 Tive duas poeiras incríveis. Uma delas foi a Debora, que também foi minha namorada. Difícil passar seis, sete horas velejando com alguém e não se apaixonar. 

A outra se chamava Paula Assunção Campos. Que me chamava carinhosamente de capitão Jack Sparow. Ao contrato da Debora que já era velejadora, Paula quando entrou no meu barco não tinha experiência alguma. Mas tinha uma coisa fundamental. Era do mar. Surfista. Linda, meiga e super amável. Minha única foto singrando ao mar com o Perola ela está do meu lado. Como aprendeu rápido a Paula. Movimentos precisos. Com seu corpo pequeno realizava manobras tão precisas nas “cambadas” que parecia que estávamos dançando um balé. Tinha muito orgulho de ter ela ali comigo. 

As velejadoras são ótimas parceiras. Não tem frescura nenhuma, comem um PF na rampa do clube, carregam coisas pesadas, não usam maquiagem, nada além de um protetor solar fator 60. (Não curto mulher maquiada, gosto de ver as manchas, as marcas…isso é vida), tem um ótimo preparo físico, um corpo atlético, um raciocínio apurado e principalmente entendem de uma coisa que faz toda diferença na vida. Elas entendem de vento. 

Quem ganha regata não é quem veleja melhor. É quem percebe a mudança de vento primeiro. Assim como na vida.